QUARTO ESCURO
o novo blogue de fotografia do ilustrador Pedro Morais
de três em três dias, uma imagem nova!
© pedro morais
14.6.09
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13.6.09
dia 13 GALERIA SANTA CLARA 22 horas
PONTAPÉ DE SAÍDA #
ARTUR VARELA – pintura e banda desenhada
CARLOS JÚLIO – fotografia
DORA – escultura
FILIPE CRAVO – pintura
ILÍDIO SALTEIRO – pintura
JOÃO BAETA – fotografia
MANUEL SANTOS MAIA – vídeo
SAMUEL SILVA – escultura para interagir

Estás perante o produto de um roubo triplo, com violação da sagrada propriedade privada, actos de pirataria informática, plágio propagandístico. São 3 as proveniências de cada 1 dos 33 cromos da colecção “Rumo ao Novo Mundo seja lá onde ele for”, todas infames: # As fábricas encerradas na periferia de Coimbra, provas mortas da “renovação natural do tecido produtivo” / retratos vivos da natureza fatal do Capitalismo, foram visitadas sem convite; # # The Assistant, The Journey, The Pupils, seres suspensos no site de Michael Borremans, deslocalizaram-se sem pré-aviso para repovoar os espaços fabris esvaziados; # # # Dos jornais de cada dia, respigámos frases lapidares de uma certa identidade nacional, títulos dos governantes garrafais de hoje e dos opositores governantes de ontem, loureiros e coelhos, uma amálgama ardente no desejo e no proveito de que “não há alternativa ao Capitalismo”. - o – o – o – o – o – o – o – o – o - o – o – o – o – o – o – o – o – o - Ao invés, reclamamos o rumo ao Novo Mundo, seja lá onde ele for, descrentes desconfiados das previsões do optimismo tecnológico e do pessimismo ecológico. A previsão do futuro, o pontapé de saída ou a angústia do guarda-redes, foi sempre o alimento da adivinhação, da leitura de presságios, fantasias, ficções astrológicas e também da futurologia “científica” do agrado dos crédulos do progresso contínuo. A nós satisfaz-nos “a visão possibilista da história, onde o real não se compreende senão no limite das suas possibilidades”. . é não é impossível vivermos num Mundo diferente . . é Não é impossível vivermos num Mundo diferente .
. não é impossível vivermos num Mundo diferente .
Animado pelas baixas origens da colecção, poderás agora meditar no Mandamento que interdita os privados de propriedades de A tocar e podes ousar, tu hipócrita espectador, meu igual, meu irmão, /comprar/apropriar-te de/ um cromo, A3 300 mg impressão a laser, a 2,5 € de valor facial ou ainda menos,
se a tanto te ajudar o engenho e a arte.
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8.6.09
5.6.09
da vossa raiva estéril, solitária. 
(caneta sobre papel, 1986, a meias com pedro morais)
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11:39 PM
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2.6.09
31.5.09

cedo à diuturnidade de um registo longínquo
à campânula de silêncio construída pelas vagas
que o Atlântico empurra contra o paredão
pouso os pés no tabuado que reveste a varanda
a luz é uma duna migratória na manhã de domingo.
pelo areal fora a maré afunda-se nas baías de granito
da praia de Afife até ao Forte do Cão
evito os bivalves as conchas azuladas
as carapaças dos ouriços-do-mar as lapas
não sei de que quadrante soprará o vento e
antes que me varra e desconforme
apresso-me a inspirar o perfume da esteva
do sargaço-manso
do estorno
da camarinha
que já se aproxima o Estio
e logo logo adormeceremos nas areias do pinhal.
no sopé da serra os terraços são também de granito
neles crescem castanheiros carvalhos loureiros
hortênsias azuis nas bordas dos muros capeados de hera e rosas vermelhas
cuida-se do arvoredo fustigado pelo sal das nortadas
do composto para o pomar
do jardim de laranjeiras.
daqui até à Serra d’Arga vai um canto cujas palavras já não recordo
um dizer que fica guardado no avental de puxados da lavradeira e
na hora em que me vou
já ninguém passeia bois pela canga
nem se estrumam campos com sargaço.

(caneta e tinta-da-china sobre papel, maio 2009)
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28.5.09
17.5.09
15.5.09
12.5.09
10.5.09

bethan huws, fotografia de antonio alves
do lado de lá nuvens brancas
vapores suspensos na atmosfera que ocultam o azul do céu
poesia no dicionário e eu que procuro apenas
acordes diatónicos na garagem onde estaciona o mundo em Brooklyn
sou mais um corpo na rua seguindo os rapazes da banda
abrigo-me no tecto de folhagem esqueço-me de quem sou
um papel branco resguardo-me da infância
a preto-e-branco a sombra de uma ave sobre o vestido de veludo
asas de guipura elevam-me o pescoço
cresce curioso como o caule de uma herbácea
no qual as tuas mãos retêm a curva do colo lembras-te
dos limites do paul mapeados pelo movimento das barcaças de junco
na vitrina do museu lembras-te
do perfume do roseiral o teu silêncio lembra-me
a manufactura de uma cortina de tempo suspenso por palavras
há tanto tempo cantarolo
há tanto tempo
dizes agora mesmo em Brooklyn
ficamos sentados nos degraus da escada
cobre-nos na tarde um céu de trovoada
em Maio penso no acorde que me estremece
as bocas mordem-se por entre palavras aparentemente vãs
os rostos desenhados sem que o aparo se levante do papel
sem que o olhar interrompa
o desejo áspero e intenso.
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12:35 PM
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6.5.09
5.5.09
4.5.09
3.5.09
Junho trar-me-á a luz derivada das águas do Mediterrâneo
sombras de anil na areia e tardes de progressões harmónicas
mas por ora quedo-me na sequência de palavras que data o final de Abril
a floração do lóio do pícrido
a maturação do fruto da mandrágora
passeio-me por entre canteiros de mostarda persa e jardins de citrinos
entreligam-me caminhos de pó
entretenho-me perco-me distraio-me
que logo virá a semana antevejo-a com vagar
dias de abstrações administrativas de relatórios de crise
de distância formal entre baluartes
trocarei máscaras cirúrgicas por petardos e aguaceiros
cairei por esgotamento retroviral no bafo da composição
um aquário sobrelotado e sem arejo
onde lerei o jornal prestes a transverter-se no conteúdo do momento
indisponível para quem não estiver à distância de um click
o ponto G da comunicação e se tudo correr bem
passarei o fim de tarde no bar do teatro
onde a folhagem das árvores da praça toma os vidros
o plano do olhar no único lugar Moderno de tão decadente cidade.
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11:15 AM
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25.4.09
hoje, dia 25 de abril. para o meu Pai.
coimbra, crise académica 61-62
"(...)
A progressiva substituição do corporativismo pelo sindicalismo, com a consequente adesão a modos de pensar e agir mais empenhados socialmente, fez-se também através da transfiguração de algumas formas de exercício praxista, de maneira a poderem servir de veículo de contestação social. Na Latada de 1961/62, por exemplo, empunharam-se cartazes humorísticos de evidente alcance político, como “o Tó [Salazar] tem um cancro. Coitado do cancro”(...)"
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1:37 PM
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22.4.09
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10:11 PM
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19.4.09
17.4.09
16.4.09
15.4.09
12.4.09
9.4.09
5.4.09
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3.4.09
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1.4.09
rua fora
os sentidos cercados pelo descompasso da valsa que o rapaz corrompe
uma caixa aberta um trompete um cavaquinho
o revérbero inesperado
a banda sonora que me transporta
à banda da procissão
à banda do baile
à banda da associação
por passadeira de flores
tão solene mordomo da festa
vagas de transeuntes no insólito solar
quão distante estou de Palermo dos Balcãs do Minho
desenho mulheres e rapazes adormecidos
é tão mais fácil fixar quem não nos toma de assalto
a mulher que desenho parece um pássaro
um desses corvos-marinhos que a temperança trouxe aos baixios do rio
avisto-a por entre canaviais
ensopo os sapatos ao caminhar na sua direcção
sem ensaio nem suporte nem muleta volante
tem as sobrancelhas as pálpebras o cabelo o casaco de malha negros
na pele condensa-se uma nuvem
sobe o nível da água até aos maxilares desmancha-se-lhe o casaco o sexo
cheira a grafite e aos meus olhos acorrem imagens como manchas de óleo
bosques de papiro o cordame de uma vela
o meandro de um ímpeto a ausência de uma sina
por vezes seria mais fácil dizer palavras numa outra língua como
walls gone over the sea
imaginar quatro paredes abertas ao vendaval
desaparecer entre elas e surgir do outro lado
entre o que ouço e o que escrevo o que vejo e o que sei
não tomo notas à medida que caminho
atravesso o parque de estacionamento
a escavação arqueológica
o lajedo do refeitório do colégio
os estratos compostos por escombros
um escudo vinte e cinco tostões garrafas de plástico muros de pedra
uma superfície intacta de reboco feito à colher
o programa do procedimento o caderno de encargos
tapumes palas sobre os olhos as árvores derrubadas na praceta
esqueletos nas sombras do Jardim quão distantes
e próximos de mim que desenho mulheres nos bancos do comboio
assinalo os cílios as rídulas os botões o trejeito da boca
o vocabulário visível que me indica
a professora a mulher-a-dias a enfermeira a balconista a auxiliar de educação
antes na plataforma que a manhã cobrira de gelo tendo a serra por encosto
logo depois rua fora caminhando contra vagas de cotão e pólen
no descompasso que lhes reserva cada dia
imagino-as sobre passadeiras de flores.
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12:58 PM
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24.3.09
22.3.09
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21.3.09
a partir das 21h
o colectivo Saudosos da Indústria apresenta
COIMBRA_INDUSTRIAL
fotografia [15 unidades fabris da região ]










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18.3.09
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